“Existem outras designações para o que eu designo como treino invisível, mas esta é sem duvida aquela com que mais me identifico. Com a mesma, pretende-se evidenciar tudo o que é feito pelo atleta para além do treino programado.
[Continuação]
Ginásio
O trabalho físico realizado no ginásio, como os exercícios de reforço muscular e aulas de grupo, devem ser escolhidos e executados de forma a serem um óptimo complemento ao treino específico e de modo a não condicionarem a assimilação das cargas. O treino da musculatura assessória ao ciclista, como o tronco, core e membros superiores é importante e deverá ser incluída em todo o processo de treino, principalmente nos atletas que apresentem maiores problemas de postura, por exemplo.
Determinados tipos de aulas, como o indoor cycling, acabam por ser um bom complemento ao treino outdoor quando corretamente executado e orientado, tendo sempre em mente que, este tipo de pedalada é executado através de um sistema de “roda presa”, idêntico ao que encontramos nas bicicletas de pista, onde persiste um desequilíbrio muscular constante.
Estilo de vida e descanso
Os hábitos diários do ciclista têm também peso em todo o processo evolutivo. Na sua atividade do dia-a-dia quotidiano deve privilegiar períodos de descanso para as pernas e para o corpo, procurar ter regras de sono regulares, não adiando o descanso necessário do corpo.
Principalmente nos dias em que se aproxima uma prova, deve ter especial atenção a este ponto, evitando esforços desnecessários e deixando as estruturas músculo-esqueléticas e toda a fisiologia regenerarem totalmente e recarregarem as baterias para a capacidade de máxima prestação desportivo-motora.
Enquadrando no âmbito do treino invisível, estão as situações que vão contra estas regras de estilo de vida saudável: deitar tarde e fora de horas, manter uma elevada atividade funcional adicional nos dias de recuperação pré-competição, não privilegiar o descanso após treino, entre outras.
Alimentação e suplementação
O que o atleta come será a base energética para o esforço. Uma alimentação saudável e equilibrada em toda a linha deverá ser regra a manter ao longo de todo o percurso desportivo. Havendo sempre espaço para momentos de “liberdade alimentar”, a regra de evitar os alimentos, condimentos e confecções indesejados e inadequados deve sempre prevalecer, de modo a disponibilizar ao organismo os melhores recursos energéticos indispensáveis para a regeneração muscular e para o carregamento das nossas “baterias” energéticas com o combustível de eleição para o esforço.
Além de uma base alimentar e nutricional rica e diversificada, em certos momentos e consoante o nível competitivo, poderemos e segundo supervisão profissional, adicionar suplementos nutricionais que possam realmente acrescentar qualidade a todo este processo e suprir algum défice que o atleta possa apresentar. Realço que, o recurso a suplementos nutricionais deve, ao contrário do normalmente verificado em Portugal, ser supervisionado e controlado por um profissional da área, pois a intoxicação do organismo com nutrientes em excesso, além de poder ser contra-indicado, pode funcionar no sentido contrário da evolução funcional pretendida.
Assim, aqueles hábitos ao qual normalmente damos menos importância por serem vícios alimentares que nos sabem bem e que por isso não abdicamos, e a suplementação em excesso só porque ouvimos dizer que faz bem… são situações na perspectiva do atleta “invisíveis” e que estão a ter o seu peso no processo de crescimento desportivo.
Nota final
Após análise sobre os tópicos enunciados, sugiro uma melhor ponderação sobre o vosso dia a dia, mesmo que, não ambicionando ser o melhor dos melhores, consigam tirar o melhor proveito do vosso empenho e dedicação à modalidade que tanto prazer nos proporciona, e que mais poderá proporcionar, se estivermos na plenitude da nossa prestação motora.
Bons Treinos!”
O Tiago é licenciado em Desporto e Educação Física pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto (2002) e mestre em Ciências do Desporto – Treino de Alto Rendimento Desportivo – pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (2005). É também o CEO do Centro de Treino e Avaliação Desportiva (desde 2002), fisiologista no Centro de Treino e Avaliação Desportiva (desde 2002), treinador de Ciclismo e Atletismo no Centro de Treino e Avaliação Desportiva (desde 2002), instrutor de Indoor Cyle (RPM, iCycle, Cycle) desde 2004, treinador de Ciclismo nível III pela União Velocipédica Portuguesa / Federação Portuguesa de Ciclismo e Personal Trainer (desde 2004).